pichadores contra Kassab

pichadores contra Kassab

 

pichadores contra Kassab

 


O pichador é um inimigo da sociedade e o grafiteiro é criador de obras respeitáveis, dizem os entendedores, representativas do nosso tempo.
Neil cana neles Ferreira - 17/9/2009 - 20h41

Aviso logo na primeira linha que sou  contra a catiguria dos pichadores, delinquentes que "embelezam" a cidade com seus garranchos ininteligíveis. Covardes, atacam na madrugada, parece que nunca nenhum foi pego em flagrante, embora tenham "sede social" e ponto de encontro. Li que se agrupam em bandos e competem para ver qual consegue tornar mais feia, imunda e inabitável a cidade que nos pertence.

 Não confundo pichador com grafiteiro. O pichador é um vândalo que aparece escondido na calada da noite como um rato magro, ataca e foge. O grafiteiro é um artista, acho sua forma de arte discutível mas quem sou eu para enfiar a mão nessa cumbuca, não enfio. Têm DNAs diferentes: o pichador é um inimigo da sociedade e o grafiteiro o criador de obras consideradas respeitáveis  por entendedores, como representativas do nosso tempo.  Não me venham pichadores disfarçados  na pele de grafiteiros que não cola. Pichador é pichador, grafiteiro é grafiteiro.

Ao agredirem a cidade, os pichadores agridem-nos. A agressão a mim será considerada como pessoal, reagirei em legítima defesa.  Se numa noite dessas pegar esses bandidos pichando meu muro, qual vampiros e lobisomens que aparecem nas noites de lua cheia, mando balas de prata e cravo estacas de madeira nos seus peitos.

A criatura mais arrogante e antipática que conheço, a pé gelada martaxa relaxa e goza, dada como sagrada na Índia, segundo ensinou a novela da Globo, devidamente enkassabada e enviada ao brejo nas últimas eleições municipais, com toda sua granfinice e perfumes franceses, maternalmente dá a eles o salvo-conduto de serem "A voz dos sem voz."

 Então tá, a voz deles fala só para eles mesmos, não conheço um único cristão ou não cristão que entenda o raio de lingua que "falam" com aquela imundície nas paredes, are baba. Índu, Sânscrito ?
 Mas desfrutam de uma aura de heroísmo junto a alguns setores insignes da sociedade, como altos quadros intelectuais do lullopetismo.

A "intelligentzia" da ex-querda e a imprensa chapa-branca consideram os pichadores a vanguarda de alguma coisa.

Para mim, são vanguarda do atraso, mas quem sou eu perto de professores-doutores como o cordato (manso) suplicy, mercadante, o do Mestrado e Doutorado desmentidos, o profeçor luizinho, cantado em prosa e verso como responsável por uma faculdade no ABC, cuja pedra fundamental  o Cara já inaugurou umas quatros vezes como obra do Pac, as quatro com a Coroa sua candidata a presidenta embaixo do sobaco, outra que tem Mestrado e Doutorado também desmentidos.

Essa faculdade do ABC, acho que inexistente, é parte do que estou falando. Abriga em seu quadro docente aquela menina que invadiu com seu bando de desocupados o espaço vazio da Bienal e pichou chão e  paredes. Abandonada corajosamente pela cumpanherada em fuga desabalada, foi pega e puxou sózinha merecida cana.

Seus dias de xadrez foram animados por ruidosa calçada de protestos, encabeçados pelo manso ("cordato") suplicy, que usou com a voz
a mesma estética dos pichadores. "Cantava" em garranchos sonoros Blowing in the Wind, de Bob Dylan, coitado, longe demais para protestar contra o assassinato quase diário de uma das suas obras-primas.

Bocas tortas falando baixinho para baixo e olhando para o outro lado, alguns federais vazaram que forçaram a libertação da pichadora, pois não mais aguentavam tal cantoria agredindo seus ouvidos.

Libertada a Joana D´Arc do spray, foi recrutada para a tal faculdade como "Profeçora" Titular da Cadeira de "Voz dos Excluidos". Fatura um troco.

Noto, então, dramática alteração no "M.O.", Modus Operandi, dos pichadores. Mudaram da noite para o dia. Apareceram num domingo em  pleno sol, portando suas armas de luta, latas de sprays com carga interminável como a munição dos mocinhos nos bangue-bangues, dispostos a ser entrevistados  e fotografados, presentes câmeras dos repórteres de  jornais, revistas e tevês e microfones das rádios, parecia entrevista coletiva
 convocada por assessoria mais que competente. Era.

Chegaram etiquetados de heróis da acepção histórica – "filhos da união de um deus ou uma deusa com ser um humano; semideuses", era assim que se mostravam,  exibindo-se para as câmeras, não se escondendo. Portavam a palavra de ordem de protesto contra o “Cinza Kassab”, sendo Kassab  o "pai" do programa Cidade Limpa, aprovado por quase 100% da população que votou e não votou nele.

Trocaram o "Cinza Kassab" por um festival das cores, como fariam grafiteiros de verdade, certo ? Errado.
Não trouxeram cor nenhuma, o que não é de se estranhar porque eram pichadores disfarçados. De estranhar-se  é que as pichações, pela primeira vez, são legíveis, parece que foram alfabetizados: "Fora Kassab", deixaram registrado de forma que todos compreendessem, nada dos garranchos habituais,

A Prefeitura pagou a limpeza no dia seguinte, com  a grana dos impostos.

Apenas pichadores , nada, cara. Coro orquestrado. Kit pt, sem tirar nem por.

BOLSA-PICHAÇÃO JÁ EM TODAS AS PAREDES.


Neil Ferreira é publicitário

 

FONTE: http://www.dcomercio.com.br/materia.aspx?id=27104&canal=14